domingo, 8 de abril de 2007

Retalhos

O artigo na revista que eu estava lendo começava assim: "Esqueça aquele tradicional café coado às pressas pela manhã e sorvido em poucos goles, acompanhado do pão com manteiga. O emblemático cafezinho nosso de cada dia ganhou novo status. Agora, está associado ao requinte. É uma espécie de convite à reflexão, um momento reservado para degustar uma bebida de primeira e deixar aflorar os pensamentos..."
Lembrei de meu primeiro cafezinho, coado bem cedo. É a primeira coisa que faço, ao acordar. Meu café. Às vezes o aroma de um café vizinho invade meu quarto, anunciando o novo dia. Alguém me antecede e me empurra para fora da cama. O cheirinho gostoso invade minha casa e a mim... Depois, no decorrer do dia, vários outros tipos de café serão motivos de conversa de todos os modos.
Tem o cafezinho do escritório onde nos reunimos para uma descontraída conversa. Uma espécie de reunião que pode ser para se tirar dúvidas ou para combinar alguma coisa, ou até mesmo para nada, para simplesmente uma pausa. Sempre é um momento bom, alegre, participativo e de onde sempre tiramos algum proveito.
Tem o cafezinho na casa de mamãe, depois do almoço, onde conversamos ao redor da mesa e da garrafa que vai se esvaziando rapidamente, conforme o teor da conversa. Se for animada, lá vai mais um café... Café na casa de mamãe é coisa séria, precisa ser de marca boa com gosto de café torrado e não de folha seca, como ela costuma se referir as certas marcas da qual não gosta.
Tem aquele café para início de conversa... Vamos tomar um cafezinho? E então se começa o assunto de que se quer falar, e às vezes nem se diz. O café é um pretexto de um bate papo informal e amigo.
As cafeterias do Brasil reuniram e reúnem, entre seus freqüentadores mais assíduos, intelectuais, escritores e poetas. O Café Filosófico, por exemplo, é um movimento cultural presente no Brasil, no qual a manifestação de idéias e pensamentos pode ocorrer fora dos métodos tradicionais de ensino, cujos encontros, promovidos em bares, shopping, teatros, praças e cafés, permitem que o pensamento filosófico seja construído sem amarras.
Mas você não precisa ser um expert nem um filósofo para apreciar um cafezinho. Você precisa apenas de um bom motivo. E o motivo do cafezinho é um leque de opções. Outro dia, li esta frase: " Acredito que tomando um café com um amigo, num bar qualquer, se vai a Deus mais rápido e mais feliz do que muitas ações ditas e bem ditas religiosas."
Depois, é só misturar o café e a arte. Arte de muitas maneiras. Pode parecer estranho, mas acaba dando certo.
Aceita um cafezinho?

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